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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uma nação de loucos

Obama vai pegar vocês!!!Às voltas com a aprovação das diretrizes que vão reger o novo plano de saúde, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda têm que lutar contra a preconceituosa oposição direitista republicana. Não há dúvida, que à parte a cobertura tímida e constrangida da imprensa mundial, parece que os protestos que vem mobilizando essa oposição - indisfarçavelmente racista - ao novo plano de saúde, não provocam a consternação que deveriam provocar. Talvez porque eles afinal estejam se utilizando do seu direito à liberdade de expressão. Coisas da democracia (!?). Mas para tudo há limites, e quando pessoas se manifestam com o claro intuito de denegrir a imagem de alguém com mentiras absurdas - acusando-o de comunista, nazista (e é possível ser os dois ao mesmo tempo?!), anti-cristo, a favor da eugenia e tantas outras impropriedades - acho sim que aí, os limites foram extrapolados e muito. Ao se espalhar mentiras tão inacreditáveis (e eu próprio me pergunto se essa gente leva à sério o que diz) o foco acaba mudando, se perdendo do necessário debate político e indo para o campo da baixaria e das acusações doentias e bizarras. Enfim, me parece claramente, que há uma campanha não de simples oposição à uma medida ou posição do presidente, mas sim de desestabilização do governo, com ataques covardes e sem pé nem cabeça.
É necessário explicar certos aspectos dessa proposta. Em resumo, temos hoje nos Estados Unidos um sistema dos mais dispendiosos do mundo, onde apenas idosos e deficientes recebem cobertura do governo. Ao resto da população, sobram os planos de saúde privados. Os altos preços desses planos e o número crescente de americanos não cobertos nem pelo governo e nem pelos planos privados, demonstra a deficiência desse sistema injusto e desigual. A ideia portanto, é democratizar o acesso a esse sistema, com o governo americano oferecendo um plano subsidiado como alternativa aos planos particulares. Assim, o governo espera que a competição faça com que os planos particulares baixem os preços de suas mensalidades. Na minha sincera opinião, a proposta de Obama é boa, senão necessária. não é uma aventura Obamista (seria uma nova ideologia para o socialismo do século XXI?!) em direção à revolução bolchevista e nem tampouco, é inédita. Se essa direita raivosa já chama Obama de socialista por conta dessa nova proposta, imagine o que não devem pensar do vizinho, Canadá.
É, essa gente mais parece um bando de lunáticos, teóricos da conspiração, que acabaram de fugir do manicômio, além claro, de terem provavelmente matado todas as aulas de história na escola.
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domingo, 2 de agosto de 2009

Obama e a cerveja da discórdia

E tudo terminou em cerveja !!!!E o Obama heim! Que saia justa ele foi se meter, coitado! Quinta-feira, nos jardins da Casa Branca, estava ele sentado numa mesa bebendo cerveja com o seu vice, Biden, o professor negro de Harvard Henry Louis Gates Jr, e o sargento da polícia de Massachusetts James Crowley.
A história todos sabem, o professor tentava entrar em casa, a chave emperrou e com a ajuda do motorista do taxi (que também era negro) ele tentava abrir a porta quando uma vizinha ao vê-lo, não titubeou e ligou pra policia, pois claro, um preto (ou melhor, dois) tentando entrar numa casa só pode ser ladrão. O que se seguiu foi uma lamentável mistura de abuso de poder com pitadas de preconceito; pois policial que esteve no local, não só não deu nem bola para os protestos do cidadão (que ao que parece, para os brancos de Massachusetts, só teria cometido o crime de ter nascido negro), como também o algemou e o levou preso. Descoberta a lambança, o professor foi solto, e Obama (que é amigo dele) fulo da vida, disse que a ação policial foi estúpida. Ora, acho q o Obama disse apenas o óbvio, o mais do mesmo. Mas não, a declaração do presidente foi recebida com consternação, como se ele tivesse cometido uma grande injustiça contra o policial. Sindicatos de policiais dos EUA exigiram que o presidente Obama pedisse desculpas pelos comentários que eles consideraram ofensivos. Enfim, criou-se assim, um clima constrangedor para Obama, que como presidente não podia perder o controle da situação, tinha que mostrar quem tem pulso. Portanto, ao ver que seu comentário criou polêmica, procurou colocar panos quentes e encerrar um assunto que podia dar ainda, muito pano pra manga e bastante dor de cabeça. Foi assim que ele resolveu chamar as partes envolvidas para uma lúdica tarde de cerveja no quintal da Casa Branca. Foi uma situação no mínimo insólita.
Mas para além disso tudo há algo muito mais importante, que óbviamente não se resolve bebendo cerveja com o presidente. Então um cidadão inocente que teve seu direito de ir e vir e de se defender, negado por uma autoridade - que deveria garantir-lhe a segurança e o bem-estar - não foi ofendido, humilhado? Isso pode ser encarado como um simples engano?

Mas o que me parece é que essa polêmica deixou claro que há muito mais do que um simples e lamentável engano nessa situação toda. Fica patente nesse caso, que o racismo é uma espécie de veia aberta naquela sociedade, uma ferida que embora inspire preocupações sinceras por parte de setores da sociedade americana, ainda está longe de cicatrizar. Mas o que é ainda mais preocupante que o racismo em si, é a conivência que uma sociedade pode manter com um ato tão hediondo, a ponto de se tornar cega, de não enxergar seus vestígios, pois eles mesmos já são parte do seu cotidiano. Nessas situações, as pessoas tendem a não se dar conta disso, pois já lhes é algo tão entranhado e corriqueiro que passa despercebido. O perigo está ai, o racismo se tornar tão banal, que não choca mais ninguém, ao ponto de uma reação apropriada à ele ser entendida como uma ofensa, como uma reação desproporcional. Afinal, tudo não passou de um triste engano, não é mesmo? E como tal deve ser encarado. Ponto final. Esse tipo de coisa vai continuar acontecendo, como aliás acontece todos os dias, sabemos disso; como sabemos também que o problema não é uma particularidade americana. O fato é que normalmente as vítimas diárias desse tipo de abuso são pessoas que não merecem espaço na mídia.
Abraços!!
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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A mídia, o terrorismo e a Matrix

Sou partidário de uma mídia independente (como aliás, já devem ter percebido), desatrelada dos grandes interesses políticos e econômicos que tendem, de forma tendenciosa, manipular a informação. É particularmente interessante a relação da grande imprensa e do mundo Ocidental, com a questão árabe. É bastante perceptível, um "tratamento diferenciado" para julgar crimes cometidos por pessoas, grupos ou países.

Como exemplo, pegarei o caso do terrorismo internacional, que anda tão em voga ultimamente. Ora, ninguém nega a existência de grupos terroristas árabes, sejam eles da Palestina, Líbano, Iraque, ou mesmo os considerados Estados Terroristas como Irã, Líbia, Síria, Paquistão (nesse caso, me refiro também a qualquer país que possa se enquadrar na categoria de ditadura, ou governo de exceção). Mas pouco, ou melhor, NADA se fala do Terrorismo de Estado praticado (em larga escala) por países como Estados Unidos e Israel, que não raro, promovem verdadeiros atos de carnificina contra alvos, sabidamente indefesos.
No entanto, a imprensa não procura dar o mesmo tratamento, e não há dúvidas de que essa é uma atitude deliberada. Nas ações militares israelenses e norte-americanas, quando atingem de forma fatal agrupamentos civis, em regiões densamente povoadas; ou se passa a idéia de cumplicidade daquelas vítimas com os possíveis terroristas aos quais aquelas forças caçavam, ou quando esta manobra se torna ridícula, procura-se passar a idéia de um "trágico erro" ou "acidente lamentável". Nunca se considera, tais ações - sejam elas praticadas por Estados Unidos, Israel ou qualquer um de seus aliados – como mais um exemplo do “maligno flagelo” do terrorismo internacional. Não é exagero dizer portanto, que a grande mídia mundial trata dos crimes cometidos pelo Tio Sam e seus comparsas, de forma bastante conivente. Nesse caso, sempre se abre espaço para uma desculpa, ou melhor, uma justificativa, quase sempre digna de nojo.
É vergonhosa a humilhação à que Israel submete o povo palestino, negando lhes descaradamente, os direitos mais básicos, e no entanto o mundo (a imprensa incluída) continua calado num silêncio que beira a covardia, tudo (segundo alegam) em nome da suposta segurança de Israel.
É considerado quase uma heresia portanto, chamar Israel de Estado Terrorista, e no entanto é isso que é. Mas o infeliz que o fizer, será tachado covardemente, de anti-semita, mesmo que não tenha em nenhum momento falado a respeito da religião judaica ou dos judeus e sua cultura, de forma depreciativa.

Para quem se interessa pelo assunto terrorismo internacional, as suas interpretações, como ele é entendido pelo Ocidente e como ele é de fato; aconselho a todos o livro: Piratas & Imperadores: antigos & modernos: o terrorismo internacional no mundo real (Pirates and Emperors, old and new), escrito pelo lingüista norte-americano Noam Chomsky. Nesse livro, ele discute exatamente a respeito do assunto por mim abordado aqui. Baseado numa vasta pesquisa (incluindo de jornais a documentos do governo) sobre o terrorismo moderno. Famoso pela sua crítica contundente, Noam Chomsky chegou a ser considerado pelo The New York Times (jornal que aliás é alvo de muitas de suas críticas), como "um demolidor de verdades consagradas”. Imperdível.
Tendo em vista tudo o que discuti aqui, acho que seria bastante pertinente, uma colocação a respeito do filme Matrix. Segundo a película cinematográfica, vivemos num mundo irreal, num sono eterno, e tudo isso não passa de realidade virtual. Somos um exército de escravos de um exército de máquinas super-poderosas.
Enfim, no filme, o personagem Neo (Keanu Reeves), é convidado a acordar de sua letargia por Morpheus (Laurence Fishburne), que lhe oferece duas pílulas, uma azul e a outra vermelha, tendo que escolher apenas uma delas. Escolhendo a azul, sua mente continuaria aprisionada e ele voltaria a viver naquela grande mentira, mas ao escolher a vermelha, acordaria daquela realidade virtual e receberia a revelação... o deserto do real.

Segue um trecho do filme:
Neo: O que é Matrix?
Morpheus: Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte [...] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade.
Neo: Que verdade?
Morpheus: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver, cheirar ou tocar. Uma prisão para a sua mente.
O que precisamos é tomar a nossa pílula vermelha, ou do contrário, continuaremos na nossa "stupid little life", acreditando em tudo o que vemos na tevê ou lemos nos jornais. Acreditando também, que os Estados Unidos e seus sequazes têm como objetivo, a paz mundial.
Decerto, acreditar em Papai Noel é menos danoso para a nossa existência.
Abraços!!
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A outra história americana

Existe um livro entitulado "Enterrem meu coração na curva do rio" (Bury my Heart at Wounded Knee) um best-seller do escritor Dee Brown, especialista em história norte-americana. É um clássico tido como o mais pungente relato da selvageria civilizatória dos Estados Unidos da América em sua marcha rumo ao lendário Oeste. Na verdade, o livro aborda um período de 30 anos, que se estende de 1860 à década de 1890. Ou seja, é este o período de pleno declínio das diversas nações e culturas índias.
Publicado em 1970, o livro que foi baseado num extenso trabalho de pesquisa, ganhou a atenção do mundo e principalmente dos Estados Unidos para um assunto que até então era um tabu para os americanos. Virou um sucesso de vendas (4 milhões de cópias no mundo todo) e gerou muitos debates, reavivando um lado sinistro da história americana, até então oculto pela aura pura e gloriosa dos "pacíficos" colonos que se viam constantemente fustigados pelos "selvagens" peles-vermelhas. O que se conta aqui, não tem nada haver com isso, e sim com a cobiça, com assassinatos, massacres e espoliações patrocinados pelo governo de Washington. É história de nações prósperas e altivas que se viram empobrecidas e destruídas frente a avassaladora cobiça e força destrutiva do homem branco.

No entanto, o livro não pretende contar uma história das nações peles-vermelhas, e sim seu último suspiro, o seu grito por liberdade. é o relato de uma epopéia trágica que tem por fim a total submissão e extinção dessas nações. E quando digo submissão, não falo de algo consentido, muito pelo contrário, para que isso ocorresse, os americanos moveram guerras contra os diversos povos e acabaram também por sofrer derrotas homéricas e espetaculares. É sim, do começo ao fim, uma história triste, sem final feliz.

Personagens famosos do Oeste americano são retratados nessa obra, como os generais Custer e Crook, o coronel "Três Dedos" Mackenzie e mesmo Búfalo Bill. E grandes guerreiros e chefes índios como: Cavalo Doido, Touro Sentado, Cochise, Gerônimo, Nuvem Vermelha...
Esta é sem dúvida uma história trágica, mas acima de tudo é um relato de resistência, coragem e amor por uma terra e um modo de vida ancestral. Me emocionei particularmente com a história de Cavalo Doido (Crazy Horse) um dos últimos grandes chefes guerreiros dos Sioux Oglalas... é um exemplo de honestidade e obstinada luta em favor de seus princípios e ideais. Afinal, o título deste livro é em sua homenagem (quem ler vai entender). Porém, é importante lembrar que nem todos os brancos eram contra os peles-vermelhas, o livro fala também sobre aqueles que procuraram defender os direitos dos índios e preservar suas culturas.


Guerreiros Cheyennes

Ao ler esse livro, me perguntei até que ponto pode chegar a estupidez humana, em sua infinita ambição (destrutiva) por riquezas e poder. Por que homens matam outros com tanta disposição (e em nome de Deus) apenas porque estes os são estranhos, diferentes? O que faz um homem destruir toda uma cultura com o fim de impor a sua própria? O que faz um ser-humano se sentir melhor que outro?
Com o passar do tempo, essa questão não mudou muito. E infelizmente o assunto continua recente, vivemos numa era de revolução tecnológica onde as distâncias são encurtadas, mas o racismo e o preconceito contra as minorias persiste em um mundo cada vez mais globalizado. a ignorância e o medo em relação ao que é diferente, continua alimentando e fomentando o ódio. Aonde tudo isso vai parar? É algo que não posso responder, mas as possibilidades me assustam.

Cabanas Sioux

Veja também:



Abraços!
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